Historias

Meu MELHOR INIMIGO

Trazer luz a um lugar escuro pode ser uma tarefa fácil, porém difícil quando o escuro somos nós.

Assim é a vida do Josh Roy, um respeitado agente da lei e ordem. Sua
missão desde que entrou na corporação foi manter a paz somente com a sua presença. O agente Roy, habitante da pequena e humilde cidade de
CATEMBE em PONTA DE OURO país conhecido como o pequeno universo
corrupto, onde a paz pertence aos deuses que determinam a temperatura e
hora do pequeno almoço naquele universo corrupto.
Ser Josh ROY nesse universo é como conhecer o “Batman em GOTAN ou
Pantera Negra em Wakanda”

A família de Roy é composta de sua amável esposa Luena Caetano Vensho,
uma linda espanhola qual a conheceu em sua primeira missão na Cidade do
Cabo o cartão postal da África do Sul, onde a maravilhosa sra.

VENSHO servia como médica da corporação, quando os soldados da Ponta do Ouro uniram-se aos soldados Sul Africanos na luta contra os EUA que pretendia tomar as minas de ouro e diamantes, então Josh Roy caiu ferido nos braços da dra.LUENA, roubava a atenção de todos soldados quais alegavam sobreviver a cada batalha somente para poder viver a paz casados com a dra Luena, quem foi comprada pela serenidade de um soldado despreocupado com a presença da fabulosa Luena. Focou apenas na paz dos humanos pelos quais ele dava e entregava a sua vida.

Foi esse o preço pago para conquistar Luena, quem deu ao Josh a pequena
ASALI nome africano que significa “Mel doce” dos seus 6 anos, cabelos
enrolados com os lindos olhos verdes de sua mãe.


Sem esquecer do seu melhor amigo Godin Cruyff também colega de Josh.
Essa é a primeira parte da família do Roy pois a outra maior é composta
pelos habitantes de Catembe e um pouco pela Ponta de Ouro.


Sentado em sua secretária com o jornal na mão, os olhos apreciavam de
ponta a ponta cada palavra ali escrita, então sentiu o vento a tentar lhe
arrancar do corpo a camisa listrada qual combinava com as cortinas que guiadas pelo vento fugiam sem sair do lugar. Josh pousou o jornal na sua
mesa e a passos largos aproximou-se da janela que por não ter sido bem fixa quando aberta deixou-se levar pelo vento.

Fechando a janela ouviu a porta ceder sem nenhum “nock nock” de aviso,
rapidamente como quem prepara o gatilho de sua arma, fechou janela e virou com as rugas no rosto e pronto para disparar palavras de fúria contra quem sem aviso vinha de fora para o interior da sala do chefe Josh.


Desarmou as palavras e das rugas surgiram gargalhadas ao aperceber-se
que entrava adentro seu melhor amigo quase irmão Cruyff, de braços abertos Josh aproximou-se dele e abraçou-o forte.

—seu louco, saudades tuas eu senti irmão.

Cruyff em silêncio somente quis sentir aquele momento de reencontro dos
grandes e velhos amigos de batalha e paz.

—meu gémeo J.R, eu senti falta de ti irmão muita mesmo.
Puxou-o pela mão com intenção de levá-lo até ao sofá próximo da janela, deu conta da lentidão do Cruyff em aceitar a veloz e rápida solicitação do Roy, parou e olhou para seu irmão quem respirou fundo e disse.

—não estou mais completo J.R, deixei de ser humano.
Mais um forte abraço Josh deu em Cruyff, baixinho próximo ao ouvido dele.
—está tudo bem irmão, está tudo bem, confia.
—parece fácil J.R, mas não é.
Sentado no sofá enquanto Josh servia wisky sem cubos de gelo do jeito como Cruyff gosta, foi até ao sofá entregou-o seu copo e pôs-se junto ao mesmo cruzou os pés encarou-o.
—quando você quiser pode falar G.C, sempre estou aqui para ouvi-lo.
—sei J.R eu sei.
Puxou acima o pano da calça no pé direito mostrou seu pé emprestado

—quem fez isso contigo irmão, quem foi?
Elevou a mão e pousou no ombro de Cruyff encarando seu rosto.
—haverá justiça podes crer.
Estava Cruyff e Josh sentados com o uniforme verde limpando suas armas,
enquanto isso gargalhadas ecoavam pelas dunas do deserto de Bilene,
cidade vizinha da capital do pequeno universo corrupto, Makaneta. Ouviram o chamado do general Altair Alcional, trazida pelo soldado Sakir, secretário do general.
—soldados, o general exige a vossa presença em sua tenda de imediato.
Já na tenda do general, sentidos ouviam do mesmo.
— Tenho comigo duas missões para os dois.
muita alegria dentro dos irmãos quais já imaginavam mais uma jornada para a dupla implacável, até que.
—Josh Roy tua missão está em Catembe e Godin Stone Cruyff tem já
preparado o helicóptero para Muchungue.
Entregou para cada, um envelope e pediu com que lhe entregassem as
armas.


Fora da tenda do general, os irmãos mal conseguiam olhar um para o outro,
por um instante em seus pensamentos queriam que fosse só mais um teste
do general, ou mesmo uma falha que ainda dava tempo de ser corrigida, mas tratava-se de dois soldados treinados para nunca estar com quem gostam, mas sim lutar por quem precisa. Foi nessa força que Cruyff abraçou Josh.
—você é um homem de muita sorte J.R.
—nós somos G.C, nós somos, confia.


Correu Cruyff em direção ao helicóptero que estremecia o vento com ansiedade maldosa de criar a distância entre os dois, entrou no helicóptero e foi-lhe entregue a sacola pelos soldados colegas e olhou para Josh dando
continência com os dedos indicador e médio direito na lateral direita de sua cabeça, repetiu o mesmo movimento Josh punho esquerdo sem encolher os
dedos indicador e médio na lateral esquerda de sua cabeça.


Em Muchungue, Cruyff comandou as tropas do governo que combatiam os
rebeldes opositores que reivindicavam seus direitos, mostrando violência e
força nos inocentes habitantes daquela pobre cidade rodeada de verde mata e banhada em miséria, onde do esforço nas plantações tiravam a
sobrevivência. Agora o som das armas a cada momento invertia futuro em
passado deixando inexistente o presente.

Cruyff visto com os mesmos olhos e sentimento dos Metropolitanos para com o “Super-homem” lutou com a alma e espírito dos que sofriam sem sequer conhecer a razão. Por longos 7 anos viveu Cruyff longe de tudo como havia sido treinado para ser e viver. Que por um descuido pudesse ter a sorte do Roy.


O sofá tornou-se pequeno para o abraço enorme dado por Roy ao seu irmão,
enxugou suas lágrimas dizendo-lhe.
—tudo vai ficar bem irmão.
Distanciou-se do abraço do Roy, deu um gole longo no wisk.
— agora fala-me de tudo que aconteceu aqui na minha ausência.
— você quer saber mesmo?
Sorriu erguendo a mão qual trazia o copo e pousou na mesinha e
rapidamente esfregou as mãos saboreando os próprios beiços.
— casei-me com a Luena.
Como quem não percebeu o que lhe foi dito, passou Cruyff a mão na metade
do rosto esquerdo e encaixou bem o pé postiço ao sofá.
— eu devia ter te chamado, mas foi uma pequena cerimónia feita as
correrias, e você sabe que não é aceite um chefe de polícia solteiro.
Em um tom sarcástico do Cruyff.
— deve ser por isso que nunca fui chefe de nada.

Deu uma palmada no ombro do Cruyff.
— sei que você não é de passar nem um minuto sem uma na tua teia, podes
falar G.C.
Pôs-se a abotoar os botões já abotoados da camisa xadrez.
— foram só casos e nada além disso, a mulher da minha vida nunca teve a
oportunidade de ser minha. Respirou fundo.
— você vai começar novamente com essa incógnita, nunca sube quem é ela,
porque não dizes logo.
Como se estivesse a perder as forças.
— calma J.R brevemente saberás, e sim tu saberás aukay?
Então pôs-se em pé Josh aproximou-se da mesa onde havia um retrato da
família feliz e sorrindo, tomou o retrato em sua mão e levou-o até Cruyff
dizendo.
— é esta a razão das minhas lutas.
Aplaudiu no tom miúdo.
— você sempre o homem de sorte.


Caminhavam lentamente pelo jardim do comando chefiado por Josh,
mostrou-lhe as conquistas alcançadas pela sua equipe em várias operações,
reconheceu Cruyff o caminhar de toque suave ao chão e aplaudido pelas
folhas das árvores daquele belo jardim, chegando a eles a voz de moça fez
brilhar o olhar de Cruyff.
— bom dia, não atrapalho o casal de irmãos?
Riu como quem se encanta por uma joia rara.
— minha cunhada amável a quanto tempo não à vejo.

— faz muito tempo Cruyff e é muito tempo mesmo.
Rapidamente ergueu os braços e já cabia no peito de Cruyff o tronco da
Luena.
Josh interrompeu aquele momento com um convite.
— bem que podíamos continuar a conversa na varanda olhando para a baía
de Catembe, onde a minha adorável esposa poderá deliciar do preferido
cappuccino.
Tentou apressar o passo Luena quando deu conta da lentidão do Cruyff e
questionou-o.
— estás ferido para tamanha lentidão?
Sem resposta pronta Josh trazia a voz para formar frases na ponta dos
beiços.
Então Cruyff disse.
— deixei de ser humano, só isso.
Já no balcão da varanda, Luena de semblante no chão sentia da mesma dor
que o Cruyff, até que resolveu trazer a paisagem qual apreciavam para o
interior dos três.
— você precisa conhecer a nossa pequena, ela não conhece o tio, vê se
pode uma coisa dessas.
Aos risos saboreava Luena do seu cappuccino esfriado pelo forte vento que
cobria seus corpos com intenção maléfica de os despir.
— então onde estás hospedado? Questionou Roy.
Rapidamente interrompeu o cappuccino que já saía do descartável para sua
garganta.
— se não tiver onde ir lá em casa tem muito espaço.

Concordou em timbre de voz grossa e roca.
— claramente G.C.
Puseram-se a rir daquele momento ate Cruyff interromper com soluços.
— o estado sempre cuidou de mim, estou no hotel 16 e não gostaria de ser
incómodo para vocês.
Caras sérias formaram-se a pôs aquela confirmação do Cruyff.
— tu nunca serás nada disso irmão, insisto mais uma vez.
Foi firme segurando sua bengala com o cabo de ouro, apoiando-se no próprio
pé para poder dar indícios de partida.
— verdade que eu gostaria, mas estou bem no hotel e é só por uma semana,
tem uma casa a ser preparada e mudo-me para lá brevemente.


Em casa, correu escadas a baixo a pequena Asali, em direcção do sofá onde
Josh olhava atentamente ao laptop, pediu por uma estória para poder sonhar sem preocupar-se com o amanhã que viria de repente.
Levou sua pequena no colo e a passos lentos, ela bem agarrada ao pai que
em modo câmara lenta, pouso-na em sua cama e contou estórias até os
olhos pequenos da Asali desistirem de lutar para olhar.

Cobriu-na e quando virou em direção a saída, estava Luena abraçada a parede com a metade do tronco no quarto de sua filha, Josh foi em sua direção tomou-a em seus braços.
— agora é vez de levar a minha BB.
Sorriu Luena.
— o que é isso de BB?
— hummm… Acho que é Big Baby.
Pôs-se em gargalhadas até Josh lembrá-la.

— você não sabe o trabalho que tive em manter a menina de olhos fechados,
não estragues com essa tua alegria.
Deitaram-se sobre a cama e Luena chamou a atenção do marido com uma
palmada em sua concha.
— não achas-te o Cruyff estranho?
— hummm… ele sofreu muito conheço o meu irmão, somente não está a
merecer tamanho sofrimento.
Entrou entre o cobertor e com a voz ofegante.
— se você o conhece tudo bem, vamos dormir então amor.


O sol de Catembe chegou violento, Josh já descia do carro em direção ao
edifício do comando, entre continências dadas ao chefe que chegava mais
uma vez com a capa de herói. Sentado em seu escritório dava a total atenção aos relatórios do dia anterior, com a mente pronta para superar a meta passada.

Do nada o telefone ficou inquieto, removeu-no da base e alocou-o ao seu ouvido e em timbre de respeito somente respondia positivamente as
palavras de quem o ditava as regras do outro lado do telefone.
Pousou o telefone a base e afastou a cadeira para trás em pé gritou
chamando seu secretário do lado de fora, quem rapidamente pôs-se dentro
da sala do seu chefe.
— sim senhor.
Respirou fundo antes de proferir qualquer palavra.
— o presidente acabou de informar-me que virá a cidade próxima semana,
preciso de toda guarda pronta e a cidade bem segura.
Gaguejou o secretário antes de opinar sobre tamanha exigência do chefe.
— mas, mas, se, senhor essa é a cidade mais segura e isenta de corrupção
de toda a Ponta de Ouro.
Passou a palma da mão no rosto como quem diz “quanta inocência meu Deus”

— os Céus é o lugar mais seguro que existe, mas mesmo assim o diabo foi
até lá para tentar a Deus.
Não houveram palavras para justificar.
Enquanto Josh mexia com os processos que preenchiam sua mesa, a porta
abriu lentamente e coxeando Cruyff ia em direção ao sofá e sentado sem
nada falar, via Josh atento em seus papéis.
— não dirás nada G.C?
— o que está a preocupar-te meu irmão?
— se eu disser você não acredita.
— então diga, quanto ao acreditar ou não é minha responsabilidade e não
tua.
Largou os papéis e tirou os óculos deixando-os juntos sobre a mesa, olhou
atentamente ao Cruyff.
— o chefe máximo, o chanceler, o poderoso vem até aqui.
— e o que há de mal nisso?
— ele vem na próxima semana, das outras vezes fui informado meses antes.
Pôs-se em pé e mancando foi em direção a prateleira onde as bebidas do
Josh reúnem-se.
— meu irmão!,,, você comanda a cidade mais segura do país, é um exemplo
quase pelo mundo, as pessoas olham para gente como tu e vê perfeição, por
isso para eles você está sempre pronto para fazer bonito.
— acho que eles esquecem que sou humano também.
— você é um menino de muita sorte J.R, consegues sim.
— vamos a isso, eu consigo sim. Cruyff fereceu um copo de whisky ao Josh.
— não quero álcool agora dê-me só água por favor.


Foi uma semana muito apreensiva para Josh quem incansavelmente sob o
sol árduo treinava as suas tropas pessoalmente para a grande recepção,
tarde chegava a casa e cedo partia. O bom é que sua família tudo entendia, é para o bem de todos que Josh nasceu, Cruyff fazia suas visitas ao escritório do seu irmão quase todos os dias.

Em uma manhã de sexta-feira dia 20 de Junho no ano de 2006 quando o
verão de Ponta de Ouro fazia-se de menino sonhador para quem só virá adulto em Setembro, Cruyff descia do carro e mancava em direcção a porta
do Josh, em jeito de surpresa tocou na campainha por 3x até a Asali curiosa
que sem muita cerimónia abriu a porta, logo ouviu de sua mãe que gritava,
pergunte antes de abrir querida, chegou tarde a voz para os ouvidos da
pequena Asali que somente segurava na porta com a mãozinha direita onde a esquerda abraçava com a mão sua cintura, agachou Cruyff e tomou a
pequena em seu colo e pôs-se dentro a casa e vinha Luena a mexer os
cabelos vestida de um preto e longo vestido onde Cruyff por um segundo
perdeu a posição do seu juízo.


— Josh… Querido, chega aqui e veja quem nós tomou de surpresa.
— ninguém disse-me que morava aqui uma linda princesa.
Trazia em sua mão esquerda junto a sua bengala uma sacola, em
dificuldades de erguer a mesma para dá-la nas mãos da Asali que confortável estava no colo de Cruyff.

Rapidamente Luena aproximou-se e ajudou-no com a sacola e deu nas mãos da pequena, Josh vinha para a sala enquanto terminava de abotoar seu casaco e em gargalhadas foi em direcção do irmão qual deu um forte abraço e de seguida fechou na porta.
— mas, que bonita surpresa você nos faz irmão.
— na verdade eu vim e vim por está linda boneca, que trago no colo.
Luena curiosa para saber que presente estava na sacola.
— Asali não vais abrir o presente que o tio Cruyff deu-te?

Da sacola saía um ursinho de pelúcia rosa que mais parecia real de tantos
pelos que tinha.
— como temos de falar quando recebemos um presente filha?
— obrigado tio “Cruxii”
Muitos risos tomaram a sala do Josh ao ouvir tamanha inocência da pequena Asali.
— é tio Cruyff filha tá bom.
— deixa quieto com tempo ela leva jeito.


Do lado de fora o som do estacionar de um autocarro, de imediato Luena
ordenou Asali para que fosse buscar sua pasta que já é hora de ir a escola.
Já de saída despediu-se a boneca do tio “Cruxii” de todos e sua mãe a levou
até a porta onde foisse.
Então Cruyff e Josh depois do café em pé também davam indícios de partida, ficou Luena que trabalhava mais tarde.
A caminho do comando com ares de segurança Josh dizia.
— mesmo que o presidente tenha que chegar hoje, tenho já tudo pronto, e
sobre controlo.
— o mais importante é a confiança que temos em nós, o resto vem com a
força.
— podes crer G.C podes crer tudo vai ficar bem eu sei.
Chegados ao comando lentamente em direcção a entrada ouviram-se gritos
no interior do comando, apressados chegaram lá e estava um homem alto e
coberto de pinturas no corpo. Algemado exigia ir a casa com a sua inocência qual cria lhe pertencer, contrariado pelos agentes que o seguravam forte.
— o que está aqui a acontecer, na minha casa logo cedo.

— sr. Eu não fiz…
De imediato foi interrompido pelo agente que o tinha tomado forte pela mão.
— faça silêncio, e aguarde a ordem do comandante para falar.
— tragam-no até a sala das vírgulas.
Foi de imediato empurrado contra a sua vontade e introduzido na sala do
interrogatório, Roy e Godin, sentaram-se em frente ao acusado prontos para
buscar dele a verdade.


Como todo o interrogatório, tinham antes de saber porque estava ele a ser
acusado e quem o acusou.
A dupla meteu os olhos nos papeis que continham toda a história, enquanto
ali de braços cruzados o malogrado aguardava por ser questionado.
— então tu és mesmo um ladrão ou acusam-te por não ter mais onde
escrever e tomaste o corpo como papel também?
— eu estou aqui para ser julgado ou interrogado heim!
Levantou-se Cruyff, lentamente deixou sua bengala encostada a cadeira do
Josh e apoiou os punhos a mesa.
— J.R deixa que daqui em diante cuido eu deste humano.
Cruzou os braços Roy e pôs-se a apreciar aquele momento que a muito não
via.
— como é teu nome mesmo?
— mas, o senhor ficou a ler esse tempo todo e não viu meu nome?
— vi, só não acreditei que você teria o nome de Marcos João Portas.
— então você deve estar a ler o documento errado.
— não é, porque tem aqui a tua foto, como pode me explicar essa magia?

— pode ter havido um engano senhor.
— eu acho que não houve não, confirma então que você tem 23 anos?
— eu insisto em dizer que esse não é o documento certo senhor olha bem.
— e também vem aqui que você nasceu na cidade de Pemba.
— isso não é verdade eu sou da Beira senhor.
— humm, deixa ver aqui alguma coisa, e tem aqui também que você é
acusado de ter assassinado 3 mulheres na noite passada.
— não eu só assassinei a minha namorada e mais ninguém.
— levem-no daqui é declarado como assassino confesso.
— hey, espera eu não quis dizer isso, espera, como você fez isso, como?
Foi de imediato levado o assassino para as celas e Cruyff olhou fixo em Josh.
— missão cumprida meu caro.
Ainda pasmo Josh, ficou por muito tempo sem o que dizer somente olhava
para Cruyff com admiração.
— onde você aprendeu a jogar assim com a mente das pessoas?
— a vida meu caro a vida, é só buscar por um ponto e começar a desfazer
tudo.
— tenho que admitir que você é bom nisso.
Saídos dali foram aos últimos arranjos para a recepção do chefe máximo,
passou um pente fino em todos os detalhes, Josh nunca deixou nada fora do
lugar, um comandante respeitado pela sua garra e empenho.
Chegou o grande dia em que seria recebido o presidente de Ponta de Ouro, a manhã nublada carregada de um céu pintado de cinza onde o vento virava brisa suave em cada rosto ansioso pela chegado do chanceler.

As ruas enfeitadas até ao mínimo detalhe, o povo de Catembe sorria intensamente, a segurança forte pelas avenidas dava a entender que não é só mais um dia para Catembe.


Estava Josh, Cruyff e Leuna no comando a espera do sinal para sairem até a
avenida principal onde estava lá o pódio a espera do presidente.
— preciso que alguém vá buscar Asali, ela disse quer conhecer o presidente.
Luena acalmou Josh com um beijo.
— já providenciei tudo querido ela vira com os agentes em breve.
— fica frio J.R vai correr tudo bem meu amigo.


Veio apressado o secretário do Josh e depois de uma continência forte,
ditava que o presidente está já a sair do aeroporto para a avenida principal.
Em prontidão sairam do comando em direção aos carros já prontos do lado
de fora do comando e partiram até ao local do evento.


Chegados ao local, os três posicionaram-se ao lado do pódio onde o
presidente iria proferir as habituais palavras gravadas em sua mente. Estava uma enchente colorida canções e gritos ecoavam por toda a parte.
Aproximou-se de Josh um agente que o ditou palavras miúdas em seu ouvido e lentamente saiu dali para longe de Cruyff e Luena.
— J.R algum problema irmão.
— nada G.C volto já.


Um pouco distante de Cruyff e Luena, Josh recebeu na mão um papel
dobrado do agente e abriu curioso para ler ou ver o que lá havia e estava
escrito “estamos com a tua filha, venha sozinho agora até a segunda avenida cá estamos a tua espera e rápido antes que seja tarde”.


Sem dar motivos Josh saiu dali e foi em direção ao ponto mencionado n papel, obedecendo a regra de ter de ir sozinho.

Quando Josh estava quase a chegar a segunda avenida, Cruyff e Luena davam falta dele, de repente em direção da Luena e Cruyff vinha Asali
escoltada pelos agentes, deu um abraço em sua mãe um beijo no seu tio.
Então a multidão elevava a voz e ficava mais agitada.

— onde estará Josh meu Deus, o presidente vem vindo.
— calma o teu marido deve estar a organizar algo que provavelmente tenha
esquecido, ele vem logo.

Estava já estacionado e pronto para descer do carro o presidente, aproximou-
se o secretário do Josh ditou palavras minúsculas no ouvido do Cruyff.
— terei de ir receber o presidente, parece que Josh teve um contratempo.
— o que aconteceu com meu marido, algo grave?
— nada disso minha senhora, o chefe só precisou sair um pouco, mas volta já e o presidente não pode esperar por ele, por isso o sr. Cruyff fará o papel do chefe.
— tudo bem, vai lá Cruyff.


Foi até próximo do carro onde estava o presidente e o motorista abriu a porta para que ele viesse cá fora, aplausos de ensurdecer ouviram-se naquele lugar, um aperto de mão e um abraço deu Cruyff no presidente.
Do outro lado Josh chegava a segunda avenid, todo suado para buscar sua
filha nas mãos de quem não sabe se é inimigo ou não é amigo.

Estava no meio da estrada uma VW polo preta onde a distância parecía estar uma criança no banco de trás a olhar do vidro traseiro.


Do nada a buzina de um camião em alta velocidade ia em direção da VW
polo, Josh correu com todo o folego para salvar quem cria que fosse sua filha, gritou alto pelo nome da Asali pedido que ela saísse do carro e chegou tarde, o camião passou por cima da VW que ficou para trás em pequenas partículas minúsculas. Caiu em pranto Josh.

Cruyff sorria ao lado do presidente que discursava para o povo de Catembe,
até que mais alto do que os gritos daquela multidão o som de um tiro acertava o chão bem próximo ao pódio onde estava o presidente, todos
puseram-se em pânico e quando mais uma vez gritou a arma, estava em
frente ao presidente Cruyff e alvejado foi nas costas e tiraram o presidente
dali as pressas para o comando.

Josh ouviu os tiros de onde estava e assustado foi ate a VW que estava
espatifada deu conta que tinha ali só uma boneca.

Virou-se e corria de volta a avenida principal onde chegou e estava toda
aquela multidão dispersa e com medo, chamou alto pela sua esposa.

Foi abortado pelos seus agentes e informado que houve tentativa de
assassinato contra o presidente e Cruyff salvou-o.

Olhou Josh e estava Cruyff a ser levantado do chão e Luena ali do lado
segurando Asali no colo tomadas as duas por lágrimas em seus rostos.

Chegou próximo deles e segurou Cruyff nos braços, espantado por não estar
a jorrar sangue dele, tossindo Cruyff repetia.
— estou bem J.R trazia prova de balas fica calmo e onde está o presidente?
— ele foi para o comando senhor.

Respondiam em coro os agentes ali com eles.
Foram todos no carro a caminho do comando para estar com o presidente, a
caminho questionava Josh para Leuna onde estava Asali, como ela chegou
até vocês?
— veio com os agentes quais pedi para que fossem lhe buscar em casa,
porquê e onde você esteve?
— eu falo depois, o importante é que estão todos bem agora, vamos descer
já chegamos.

Foram em direção ao interior do comando e barrados pelos seguranças do
presidente identificaram-se como policiais, tiveram permissão para entrar e lá estava sentado o presidente que logo identificou Cruyff e o abraçou
agradecendo por ter o salvo.

— desde já eu como chefe e dono das forças armadas o nomeio como novo
comandante desta cidade.
— o quê? Mas como pode senhor?
Questionou Josh enquanto todos ali espantaram aquele acontecimento e sem reação para aquele momento.
— é isso Josh Roy este homem salvou-me a vida o teu cargo passa a ser
dele.

E foi assim que teve a chance de ser reconhecido Godin Cruyff o novo
comandante de Catembe, Josh perdeu seu emprego para o melhor amigo.
Nunca mais foi falado sobre Josh por três meses em que ficou em casa e
questionava como pode tudo aquilo, Cruyff não mais deixava com que Josh
fosse ao comando. Sem se falar por três meses perdeu Josh a capa de herói
para seu amigo que tornou-se inimigo.

Em uma manhã de sábado estava Josh cabisbaixo na varanda em uma
cadeira de balanço e Luena veio ao seu lado.
— infelizmente a vida é assim meu amor, não importa quantos mil e um actos
de herói você tenha feito, mas só um e único acto de vilão define a tua
história.
— naquele dia eu recebi um papel onde dizia que Asali estava na segunda
avenida e devia eu ir até lá sozinho para buscá-la.
— como assim?
— calma que ainda não terminei, eu fui e estava lá um carro no meio da
estrada e parecia que no interior estava a Asali e do nada vinha um camião
em alta velocidade para passar por cima do carro. Por um instante eu quis
morrer para não ver aquilo então eu corri até lá, e antes de chegar o camião
passou por cima do carro e foi quando ouvi os tiros.
— espera ai, e lá na avenida principal veio a Asali com os agentes até mim o
Cruyff foi indicado para receber o presidente, isso é muito estranho.

— e se tudo isso tivesse sido arquitetado para me afastar do cargo.
— mas, quem faria isso?
Em coro o casal afirmava.
— GODIN STONE CRUYFF.
Juntos combinavam como provar tudo ao presidente e ter a capa de herói
para Josh mais uma vez.
Numa manhã de quinta-feira Luena foi em direção ao comando onde Cruyff
com gentileza e se insinuando recebeu-na em seu escritório.
— Senhorita Roy como você está?
— com ânsia de vômito só de ver tua cara.
— eu sei, como está o meu amigo Josh?
— ele está bem, longe de ti.
— perdeu até a sua coragem para mandar sua amada até aqui?
— não fale assim dele…
Cruyff ficou em pé e saiu de trás da sua mesa para ficar em frente dela,
sentou-se. Luena aproximou-se dele e apontou o indicador direito em seu
rosto. Quando Cruyff puxou Luena e apertou-na em seu corpo sem deixar
espaço para que se soltasse.
— larga a minha esposa agora.. .
— wouu… O ex herói chegou para salvar a sua amada.
— não irei repetir, solta ela jáaah…
Levemente soltou Luena de si e segurou na arma que estava em cima da
mesa, num estalo já estava pronta para tirar a vida de qualquer um.
— você não quer fazer isso G.C, pense muito bem irmão.

— quem é você Roy para dizer-me o que devo fazer no meu comando, aliás
como você entrou aqui?
Apontou a arma em direção da Luena que escória o medo em seu rosto.
— foram muitos anos com esses agentes G.C eles aprenderam muito
comigo.
— eu sempre questionei porquê não eu, mas sempre é você?
— de quê estás a falar irmão?
— desde a Luena a este cargo tinham de ser minhas conquistas e não tuas,
você sempre soube que eu era apaixonado por ela e mesmo assim foi lá.
— você nunca disse o nome da pessoa Godin.
— eu nunca duvidei da tua inteligência Roy.
— afinal o que está a acontecer Roy, porquê o Cruyff está a falar isso?
— o teu amado Luena, sempre teve o melhor e eu o pior, ele é quem devia
ter sido enviado para aquela guerra e não eu, estaria hoje a poder correr.
Ainda com a arma apontada para Luena que temia pela sua vida e já chorava
pensando na Asali.
— você sempre terá o melhor G.C podes crêr.
— não me venha com palavras de consolo agora.
— foi por isso que você veio para Catembe, você queria vingar-se?
— eu disse que você é inteligente, mas agora foste inteligente tarde de mais.
— eu não queria que você fosse para Muchungue G.C é sério.
— por isso você não fez nada para impedir certo?

— ordens são ordens e você sabe muito bem disso.
— você podia muito bem ter se oferecido para ir comigo, mas não fez isso.
— essa raiva levou você até aqui e arquitetar tudo isso?
— eu tinha de fazer algo para ser visto nem?!?
— você queria salvar o presidente não é?
— nada disso eu planejei tudo aquilo até mesmo o acidente da tua filha.
— você foi um bom professor G.C agora tenho todas as provas.
— hey, o quê? O que você fez?
Lentamente Luena tirou de sua bolsa um gravador e mostrou para Cruyff.
— é isso Godin Stone Cruyff, o presidente está lá do outro lado a ouvir tudo.
Abaixou a arma e largou-na no chão e seu rosto tomado por uma nascente de pranto, naquele momento queria Cruyff que tudo aquilo fosse um sonho e Roy desejava que nem por um descuido fosse aquilo um sonho.


Cruyff teve seus três meses como herói e já era hora de devolver a capa ao
verdadeiro herói, com dor nas palavras Roy ordenou pela prisão de Godin e
desde aquele dia a paz voltou naquela cidade até aos dias de hoje.

Melchior.D.MELO

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